Roupa: reciclar é a palavra de ordem

Texto de: Cláudia Perdigão

Nos últimos anos, a tomada de consciência da humanidade para a finitude do planeta tem colocado a reciclagem no topo das preocupações globais. O mundo da moda, sempre atento a todas as mudanças, não tem sido exceção.

O ano de 2020 tem sido considerado um marco no que respeita à mudança do paradigma da sociedade de consumo no mundo da moda. Estilitas, figuras públicas e cadeias das chamadas “fast fashion” têm alertado para a necessidade de adquirir indumentárias que sejam duráveis ao tempo e às tendências fugazes.

Os preços acessíveis das roupas e o bombardeamento publicitário das novas tendências de moda tornam a renovação dos roupeiros em todas as estações quase irresistível. As últimas décadas têm sido marcadas pela apelidada “fast fashion”, que pela aposta no design associado a um baixo preço e a uma fraca qualidade têm tornado a moda descartável.

Porém, nos últimos anos, as marcas têm manifestado uma preocupação com a reutilização de recursos. Em 2013, a nórdica H&M começou a apostar na reciclagem das roupas usadas, disponibilizando nas suas lojas contentores de recolha onde os clientes poderiam depositar o vestuário que já não usavam. Em troca ofereciam um vale de desconto para as novas aquisições. A campanha foi um sucesso.

Atualmente, a marca tem em curso uma campanha de sensibilização para o tema da reciclagem, na qual coloca crianças a falarem na primeira pessoa, alertando para a necessidade de preservar o meio ambiente e tornar o planeta mais sustentável.

Em 2016, foi a vez da espanhola Zara disponibilizar em lojas selecionadas contentores para recolha de roupas usadas. Agora, encontram-se a trabalhar para alargar o programa a todas as suas lojas, bem como a trabalhar para implementar o serviço na loja online.

A centenária C&A também não quis ficar atrás, tendo implementado o movimento de sustentabilidade “WearTheChange”. Por cada saco de roupa e sapatos usados, a cadeia de lojas oferece um cupão com 15% de desconto nas novas compras.

Os itens colocados nestes contentores destinam-se ao reaproveitamento da roupa, seja em estado original, caso estas se encontrem em condições de usabilidade, ou através da sua transformação em novas peças ou em outros produtos têxteis como panos de limpeza.

O ano de 2020 iniciou-se com fortes afirmações no que concerne à durabilidade da roupa. Ao terceiro dia da Paris Fashion Week, a 22 de Janeiro no Téâtre du Châtelet, em Paris, o irreverente Jean Paul Gaultier despediu-se das passarelas com um apelo à conservação dos guarda-roupas.

Em nota distribuída ao público, o estilista indicou que “a moda tem de mudar. Há muitas roupas, roupas que não servem para nada. Não as deitem para o lixo, reciclem. Uma peça bonita é bonita a vida toda”.

A cadeia de lojas Adolfo Dominguez lançou também no início do ano 2020 a campanha “Old Clothes”, em português “roupa velha”. A marca fez um apelo à compra consciente, incentivando à reutilização de peças antigas. A campanha foi ilustrada com itens com mais de duas décadas, que poderiam fazer parte das novas coleções.

As figuras públicas não têm ficado indiferentes a estes apelos da indústria da moda, sendo cada vez mais frequente a repetição de looks. A Rainha Lerizia de Espanha tem repetido várias indumentárias em cerimónias oficiais. É a segunda vez que utiliza uma saia midi de corte assimétrico com padrão aos quadrados da Massimo Dutti.

Kate Middleton, a duquesa de Cambridge assistiu à 73ª edição dos BAFTA, os prémios da Academia de Cinema e Televisão Britânica, envergando um vestido Alexander McQueen que estreara numa visita oficial à Malásia, em 2012.

De resto, a duquesa têm-se manifestado adepta da reutilização, pois assumiu publicamente a transição de roupa de filho para filho. É também publico que Kate tem utilizado incansavelmente um par de botas Penelope Chilvers Tassel Boots, adquiridas há cerca de 16 anos.

A pandemia da Covid-19 acabou por acentuar esta tendência. A moda, cada vez mais é para repetir, reciclar e comprar de forma consciente. O ambiente e as gerações futuras agradecem.

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