3 Qualidades d’Ouro

Texto de: Luís Barbudo (Formador de Corpo e Mente)

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Existem inúmeras qualidades que o ser humano pode adquirir ao longo da sua vida e quantas mais reunir melhor. Se tivesse de escolher apenas três, estas são as minhas de eleição: serenidade, coragem e sabedoria.

Mas antes de argumentar a minha escolha ao leitor, permita-me que lhe pergunte: O que faz quando acorda? Ou como inicia o dia?

Tenho por hábito fechar os olhos e de forma consciente colocar uma intenção. Há quem lhe chame de oração, há quem lhe chame meditação. Para mim é o momento em que “converso” comigo. Faço-o igualmente em outras alturas do dia, mas de manhã é prioridade. Esta conversa interna com o meu eu inclui perguntas como 

O que espero do dia de hoje? O que é que o leitor espera de si para o dia? Sabe o que tem de fazer? Sabe quais são os seus compromissos, deveres e responsabilidades?

Tem um plano? Objetivo? Meta para atingir?

Acorda com o objetivo de viver mais um dia ou de viver “O Dia”? Sei que para muitos estas questões parecem ser banais e desprovidas de conteúdo, porém faz diferença quando se vive um dia ou “O Dia”.

Ter esta rotina torna-me mais consciente e deixa-me num estado de alerta e de graça: Estou bem, mas posso melhorar. Estou confortável, mas consigo expandir um pouco mais. Evoluí, mas ainda posso evoluir mais. Porque tenho as condições e quero descobrir até onde consigo ir. 

É assim TODOS os dias? – pergunta o leitor: Não. E por isso desejo continuamente ter serenidade, coragem e sabedoria.

Ter serenidade é ter calma, tranquilidade. É agir ao invés de reagir, é estar presente, ouvir, aceitar e portar-me de acordo com a situação num determinado momento. É abraçar as dificuldades e reconhecer as minhas imperfeições. É ter a convicção de que não existem problemas maiores que eu e que se eles existem é porque estou num processo de crescimento. Como diria Viktor Frankl, ter serenidade é reconhecer a situação tal como ela se apresenta e não podendo mudar o seu curso ou desfecho, poder intervir e mudar a minha atitude perante a mesma.    

Ter coragem é ser audaz e ousado. É fazer tudo, com tudo o que sabe e com tudo o que tem naquele momento. Contudo, não confunda coragem com o não ter medo. Não são antónimos. Earl Nightingale disse-o melhor: o oposto de coragem é conformidade. O ser humano conforma-se com o que tem. Desconhece, ou pior, negligencia o seu potencial e deixa-se levar pelo vento sem direcionar as velas, conforma-se. Imagina-se um ato de coragem como o de saltar de uma altura de cortar a respiração ou de arriscar uma manobra de ginástica que possa pôr em risco a vida de uma pessoa. Mas coragem pode ser também o perdoar alguém imperdoável, o aceitar limitações sem ser limitado, é fazer sem ser perfeito e aceitar sem estar perfeito. Coragem e medo vivem juntos numa mesma mente. É o pensador que define quem sai à rua ou fica em casa.

E finalmente, ter sabedoria é ter a capacidade de ver com clareza. Confunde-se sabedoria com conhecimento e informação. De pouco ou nada valem se não houver uma aplicação prática ou se não beneficiar o próximo ou a sociedade. Tenho a certeza de que o leitor conhece alguém “muito culto e com muito conhecimento” e no entanto, com uma falta de sabedoria e uma dificuldade em ser compreendido na sociedade. Como o caso de alguns médicos e advogados que, quando se dirigem aos seus pacientes e clientes não ajustam a linguagem para serem compreendidos. Já Jesus, Buda, Gandhi e muitos outros “falavam” a linguagem do povo e com uma sabedoria excecional chegavam ao coração até dos mais céticos. Sabedoria é revelar a verdade. E saber fazê-lo com empatia, inteligência e emoção.   

E com esta máxima de Reinhold deixo a minha intenção e termino a minha reflexão:  

“Concedei-nos, Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras.” – Teólogo Reinhold Niebuhr

Um Bem Haja

O seu coach Corpo & Mente

Luís Barbudo